Episódio 6: A vida social de uma amostra de gente

Para quem já é um habitué deste espaço sabe bem como há dramas infindáveis associados à estatura bastante reduzida de quem vos escreve. Claramente isso não é novidade. O grande problema está quando somos obrigados a ter de ter uma vida social no mundo de outras alturas.

Sair à noite é problemático. Primeiro porque não sou uma pessoa que adore sair à noite, depois porque não consigo passar despercebida quando o faço.

Numa de querer ser uma strong independent woman, dirijo-me ao balcão e espero uma eternidade até alguém se aperceber que está ali uma testa à espera de ser atendida, já demasiado franzida para ser simpática.

Numa discoteca ou evento musical qualquer, o meu maior medo é quando os meus amigos ou namorado dizem “vou buscar uma bebida”. Aí cai o carmo e a trindade… Passa-se a hora seguinte a ter conversas enigmáticas a tentar descobrir o respetivo paradeiro, até que algum se esquece do meu tamanho e pede o clássico “Opá, mas levanta lá o braço para te ver”. Ora, imersa numa multidão imensa, onde irremediavelmente estou circundada por ingleses de dois metros, torna-se ingrata a tentativa de encontrar seja quem for no meio das pessoas.

A sequência seguinte é sempre a mesma: muitos saltinhos e choro incontrolável de riso enquanto tento que alguém me veja. Se nos dias de hoje não fossem tão restritos com o que pode entrar em espaços fechados, começava a levar uma bandeirola para ver se dou o ar da minha graça.

Ainda na semana passada, fui a um teatro imersivo que implicava descobrir peças soltas de uma entidade superior da Coruja, e obviamente, no topo da minha não forma física, tudo o que implica correr em pleno Bairro Alto num sábado à noite, torna-se num momento inglório e deprimente. Felizmente tenho amigos preocupados que não ficaram atrás na sua função, e agarram-me pelos pulsos e puxaram-me tal um papagaio numa tarde de vento no Guincho. Perderam uma bonita oportunidade de verem 1,47m de pessoa a voar rua acima. Foi bonito.

Como podem imaginar, não é fácil sair à noite ou sequer ponderar ter uma vida social. Mas podia ser pior, não é?

Até ao próximo episódio!

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Pat, a Fun Sized |  Sofia, a Ilustradora

Publicado por

Patricia Fernandes

Miúda de 25 anos, apaixonada por música e redes sociais - com um affair em jornalismo. Podem encontrar-me, com frequência, em concertos ou num café a falar de música.

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