By: Sofia Viães

Episódio 5: O Sub-mundo dos Transportes

Tenho recebido algumas sugestões e, curiosamente, consegui identificar-me com todas – porque se há coisa que este espaço tem vindo a mostrar é que nós, pessoas ínfimas, temos muitos episódios em comum.

Neste episódio vou falar do desespero dos transportes públicos, neste campo, não são só as pessoas pequenas que sofrem, todos os seres humanos já sofreram represálias no momento de andar num transporte público mas, queridos leitores, posso garantir que os formatos condensados da representação humana sofrem muito mais nos transportes.

Pensemos num autocarro em hora de ponta: caos instalado, 50 pessoas para entrar neste espaço em movimento, onde existe apenas um lugar disponível para sentar, claro que as velhotas de bengala e as grávidas têm toda a prioridade portanto, acabo sempre por ficar de pé. Não haveria problema, aliás, ao ser pequena até teria todo o conforto por ser mais fácil de arranjar um espacinho minúsculo num autocarro a abarrotar.

Não poderiam estar mais enganados – por estar em pé, junto com os gigantes deste mundo, o autocarro vira uma selvajaria e acabo por levar com sovacos mal cheirosos (que não sentem um desodorizante há meses), o suor de pessoas que vieram a correr na esperança vã de chegarem a horas ao trabalho ou mesmo levar com murros e cotoveladas de pessoas que «ah, desculpa mas, não te vi ai em baixo».

Não é confortável, glamoroso ou simpático andar de autocarro mas, igualmente mau é (tentar) apanhar o metro ou o comboio no pico das horas. Passei pela experiência, quando comecei a ir para a faculdade de transportes públicos.

A minha principal conclusão desta vivência deprimente é: salvem-se e evitem-nos a todo o custo. Estes espaços são a uma verdadeira crise emocional para um ser pequenito, como eu, pois, entre levar com empurrões de estrangeiros com 1,80m, ficar com a cara escarrapachada na porta ou cair no chão porque és tão pequeno que o teu centro gravitacional é uma treta; percebes que não és feito para conviver com os comuns mortais, é o verdadeiro horror e um desafio à nossa vida esta ideia de meter os pés em locais onde os pigmeus não têm qualquer prioridade.

Seres portáteis da vida fujam dos transportes públicos. Não são locais próprios para nós. Salvem-se!

Revisão: Mitchel Molinos

Publicado por

Patricia Fernandes

Miúda de 25 anos, apaixonada por música e redes sociais - com um affair em jornalismo. Podem encontrar-me, com frequência, em concertos ou num café a falar de música.

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