By: Sofia Viães

Episódio 4: Quando uma porta se fecha outra se abre

Comecemos esta rubrica com informação útil, estimados leitores: sabiam que a estatura média de um homem português adulto anda por volta dos 1,75m e uma mulher adulta ronda os 1,65m (sim – fui pesquisar estes valores; não há nada melhor para parecer credível do que dar-vos informações no meio do texto).

A primeira conclusão que tiramos daqui é que estou só 18 centímetros abaixo da média mas, são estes centímetros a menos que me fazem passar por situações absurdas.

Deixemos os episódios físicos para outras núpcias e foquemo-nos do grande problema desta edição; a minha relação com as portas.

Nos tempos áureos da monarquia (um enquadramento histórico fica sempre a matar), não havia palácio que não tivesse belos e monstruosos portões em tudo o que era entrada e passagem, não importava a altura do humano porque nunca chegariam ao topo – é um facto, era impossível darmos uma cabeçada na calha da porta porque, simplesmente, ninguém chegava lá; a tendência arquitectónica ditou que os portões passassem a ter proporções mais indicadas às sociedades humanas: eu sou pequena (se ainda não tinham percebido… bem vindos!) e nada é feito ou visto como se fosse normal porque não é, e está longe de ser.

O melhor exemplo é a entrada da cadeia de lojas didáticas para as crianças, a loja Imaginarium – que, tem duas entradas: uma para os grandes e outra para os pequenos e, tal como seria de esperar, eu entro pela porta dos miúdos! Até aqui, está tudo bem; se todos os problemas fossem estes, eu era uma minorca bem feliz.

O verdadeiro problema surge com as portas automáticas, este sim é o suprassumo da nossa vergonha porque não há maior humilhação para nós do que o miserável duelo Pequenote versus Porta.

Não há uma única vez que eu, o mini milk deste mundo, consiga que o raio da porta automática abrisse comigo – nunca, e já tentei tudo: andar tão rápido como um lince, tão devagar que pareço uma preguiça ou mesmo em modo ninja; não há forma daquilo nos “pressentir” e abrir a porta.

Tudo isto se intensifica quando ousamos sair à rua neste mundo sozinhos e sem os nossos escudos humanos – acabamos por ser salvos, constantemente, por um herói crescido que nos sorri com um ar tonto, enquanto tenta simpatizar connosco e com a nossa suprema humilhação.

O resultado final é invariavelmente de vitória para a porta, especialmente se for automática.

Revisão: Mitchel Molinos

Publicado por

Patricia Fernandes

Miúda de 25 anos, apaixonada por música e redes sociais - com um affair em jornalismo. Podem encontrar-me, com frequência, em concertos ou num café a falar de música.

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