By: Sofia Viães

Episódio 3: Tamanho para Concertos

Quem me conhece sabe perfeitamente quão louca sou por música e concertos. Mas, não há coisa pior para as pessoas de tamanho reduzido do que um concerto sem lugares marcados – o drama dos concertos na plateia!

Quer dizer, tornamo-nos automaticamente as pessoas mais fixes de sempre porque só há vantagens: não ocupamos muito espaço, servimos de cabide portátil para malas e casacos dos nossos acompanhantes e, o melhor é que deixamos todas as outras pessoas ver o concerto – todos, excepto nós, seres ínfimos deste mundo.

Não há maior dor do que seres obrigado a aceitar o espaço, sem puderes planear o local perfeito para assistires ao espetáculo pelo qual anseias há meses, onde acabas por ver uma mancha de corpos negros onde o teto (ou o céu) é uma mera ilusão nos eventuais slows da performance.

O meu maior receio, enquanto ser absolutamente minúsculo, é acabar do outro lado do espaço, sem perceberes bem como; mas, comuns mortais, é isso que nos acontece, se não tivermos alguém maior que nós, para nos amparar, lá vamos nós como o barco salva-vidas do Titanic a seguirmos a onda, sem qualquer antevisão de paragem.

Isto sem mencionar os festivais: esses eventos glamorosos e cool desta sociedade contemporânea onde tudo leva é o dobro do tempo, o triplo do espaço e o quíntuplo de pessoas enormes. Acredito piamente que as organizações se lembram de todos, à excepção dos pequenos – sou total apologista de locais específicos para os petizes desta vida.

Mas, indo mais longe – invés de haver tanta juventude a dar brindes tontos ou a exigir pôr-nos protetor solar às 7 da noite, qual testemunha de jeová a bater às portas a pregar a palavra do seu senhor, sugiro a disponibilização de senhores (ou senhoras, não há cá distinções, meus amigos) com portes extraordinariamente gigantes – sejam jogadores de rugby ou basquetebol, sejam apenas pessoas com mais de 1,90m.

A função deles seria, simplesmente, porem-nos às suas cavalitas para, finalmente, podermos verdadeiramente ver, invés de vislumbrar o concerto pelo ecrã do telemóvel de um parvo que filma toda a ação para a apagar mais tarde, ou para tirar “aquela” groupie com pessoal desconhecido. Mas, graças a esse fulano, sempre vais vendo o que estás a perder.

Sei por experiência própria que é uma solução viável e bastante simpática para pessoas de pequeno porte e, com isto, deixo um agradecimento público ao moço australiano de 1,95m que teve pena de mim e que se disponibilizou para me carregar durante todo o concerto de Tame Impala, no Optimus Alive de 2013.

Revisão: Mitchel Molinos

Publicado por

Patricia Fernandes

Miúda de 25 anos, apaixonada por música e redes sociais - com um affair em jornalismo. Podem encontrar-me, com frequência, em concertos ou num café a falar de música.

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